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domingo, 21 de janeiro de 2018

Baixe os mapas do livro!

Os mapas que acompanham O Rei Adulto são muito importantes para permitir um melhor acompanhamento da história.

Tanto na versão digital, quanto na edição impressa, os mapas ficam muito pequenos, devido à limitação desses meios.

Por isso, você, leitor, talvez prefira baixá-los com maior resolução abaixo. Clique nos mapas para ampliá-los e baixá-los.


Mapa geral, que apresenta os reinos infantis e o "Mundo dos que se foram" a norte do Rio das Lágrimas. A história começa no canto inferior esquerdodeste mapa. Os limites tracejados indicam o mapa ampliado correspondente que deve ser consultado.

Oeste de Teres e Sul de Guaipur. A cidade natal do protagonista, Párnon, pode ser vista no canto superior direito. Mas o Capítulo 1 se inicia em Baltar, no canto inferior esquerdo.

Leste de Teres. Mapa que corresponde aos eventos dos Capítulos 3 até 10. As cidades visitadas são: Sanjana, Calpulcra, Iátavra, Estel, Paço e Evena.

A Macebólia e a Grande Floresta de Grínkor. Este mapa corresponde aos eventos dos Capítulos 11 até 20. As cidades visitadas são: Estel, Evena, Viscaia, Lampur, Árbus, Ybyraoketá e Lyrnyra.

Eix e Ístar. Este mapa corresponde aos eventos do vol. 2, ainda inédito, porém no volume 1 há referência a locais que aí se encontram.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Conheça a nova edição de O Rei Adulto!

No próximo dia 20 de dezembro, O Rei Adulto será lançado em versão de livro impresso pela Agência Literária AZO.



A história completa foi dividida em dois volumes. O volume 1 já tinha sido lançado em versão eletrônica em novembro de 2015. É esse mesmo volume que agora terá edição impressa em uma primorosa diagramação feita pela AZO.

Eis algumas fotos de sua diagramação:

A diagramação feita pela AZO inicia cada capítulo com uma página em
estilo de iluminura. As páginas ligeiramente amareladas dão um aspecto
envelhecido ao livro que combina bem com a história.


O livro é composto em Junicode, uma bela tipografia criada para estudos medievais.
As capitulares são da familia de tipos Goudy Initialen, criadas por Dieter Steffmann.

Mapas desenhados a nanquim também foram reproduzidos nas últimas páginas do livro:



O Rei Adulto está em pré-venda pelo site da AZO até a véspera do dia 20. Aproveite a pré-venda, pois o livro estará sendo vendido com 15% de desconto e frete gratuito para quem for buscá-lo no evento de lançamento!

domingo, 24 de setembro de 2017

A Guerra das Águas

 

As crianças sempre viviam em clima de guerra, e raro foi um ano passar totalmente em paz. Muitos sabichões tentaram precisar as causas dessa hostilidade, mas só conseguiram descobrir que toda criança parece possuir predisposição para qualquer tipo de combate e que tal natureza bélica é mais evidente em meninos. As guerras parecem ter sido uma das atividades mais populares entre as crianças.

Dizem as lendas que tudo começou com uma bolinha de papel tacada, por ninguém sabe quem, em alguém que parece não ter gostado. Esse único fato gerou a Primeira Guerra das Bolinhas de Papel, também chamada “A Mãe das Batalhas”.

As batalhas foram se tornando mais sofisticadas a cada ano, e todo um arsenal era desenvolvido. Os reinos lançavam-se nos conflitos por qualquer provocação, sem medir consequências. Há registros de Guerras de Espumas de Sabão, de Lama, de Bolas de Neve (famosas guerras sazonais de inverno), de Tinta, de Frutas e Ovos Podres (que podiam empregar frutas e ovos frescos, quando os podres acabavam), de Carrapichos, de Sementes de Mamona, Caroços de Azeitona, Almofadas, Amêndoas, etc., além das nobres e irresistíveis Guerras de Bolinhas de Papel.

Mas os conflitos não se restringiam apenas ao lançamento desordenado das coisas que davam nome à guerra. Nos bastidores dos palácios havia uma complicada rede de espionagem e alcaguetagem que colhia fofocas, espalhava boatos e sabotava os planos dos inimigos. Alguns reinos possuíam até um batalhão de feiticeiros para garantir vitória plena e rápida.

Consta ter havido uma única Guerra das Águas, ao menos em tempos recentes. Oficialmente, ela teve início quando Azei, príncipe ístaro recém-coroado, em viagem diplomática por Landau, foi recebido com um balde de água fria, arremessado por desconhecidos de cima dum prédio. Profundamente irritado, Azei prometeu que iria à forra. Meses depois, ele deu início à guerra, ao invadir o Sul de Landau com grande exército, munido de pistolas aquáticas, metralhadoras de jato d’água e granadas hidráulicas. Foi o estopim para um grande conflito, que rapidamente se espalhou aos demais reinos.

Inicialmente, cada soldado levava às costas um barril de água para garantir que houvesse munição disponível. Mas as primeiras batalhas e o entusiasmo das tropas demonstraram que era necessária uma quantidade maior de água. Quase simultaneamente, os reinos iniciaram a construção de piscinas próximas às zonas de conflito, para abastecer os exércitos. E assim foi levada a guerra, durante cinco anos, sem que qualquer reino obtivesse vantagem significativa.

Até que uma manobra desleal foi tramada por Ístar: o represamento do Lenx, o enorme rio que cruza diversos países em sua viagem ao mar. A tática ístara era dupla, uma vez que, ao mesmo tempo em que impedia que os reinos ribeirinhos renovassem seus estoques aquáticos, ainda possibilitava aos ístaros guardar somente para si a preciosa munição. Quando o Lenx secou, a tramoia dos ístaros foi revelada e a guerra tomou novo rumo. Eicsos, tamatiscos e landaucos tentaram de todas as formas impedir o represamento, fosse diplomática, fosse subversivamente, mas sem êxito. Para piorar a situação, Teres resolveu também represar os rios que nasciam em seu território, sob a alegação de serem patrimônio nacional.

Para que a guerra fosse mantida, os reinos que não tinham nascentes iniciaram a apropriação de poços, lagos, lagunas, lençóis d’água e tudo mais, numa atitude de desespero, declarando-os confiscos de guerra e impedindo o acesso à plebe. Alguns soldados, isolados no campo de batalha, só podiam lutar com o pouco que tinham à mão, o que na maior parte das vezes era o próprio xixi.

O poder de fogo dos reinos montanhosos era, entretanto, indiscutivelmente maior. Ístar demonstrou-o ao tomar de assalto de uma só vez todo o reino de Eix (e dizem que sem derramar uma gota d’água sequer!). No sudoeste tamatisco, Teres iniciava uma série de conquistas, e, ao Norte, Guaipur, que contava com infinitas reservas da terrível água salgada, por arder nos olhos, ocupou a Selúnia e avançou sobre Púrpura.

Mapa do conflito

Mas as consequências não tardaram a ser sentidas. A seca assolou os reinos do Tamatich, Landau e boa parte da Macebólia, arruinando a agricultura e a pecuária. Deu-se início a uma feroz Guerra Civil de Pedras e Cascalhos pelo controle de poços e fontes de água. Nas montanhas, Teres e Ístar experimentaram, por sua vez, as piores enchentes já vistas em todo o mundo, ocasionadas pelo represamento dos rios. As enchentes destruíram fazendas, castelos e cidades, fazendo aparecer terríveis pestes.

O reino que parece ter sofrido menos na guerra foi Guaipur. Esse fato foi largamente utilizado pelos guaipurinos como atestado de vitória, e ainda o é, muito embora os sabichões especializados no evento afirmem que, no cômputo geral, a Guerra das Águas não apresentou vencedor. As razões apresentadas pelos guaipurinos são que seu reino não sofreu enchente; que falta d’água foi um assunto cogitado apenas por aqueles que procuravam desculpas para não tomar banho; e que nenhum outro reino poderia barrar-lhes o avanço para o sul, pois estavam mais equipados e em maior número.

Passados anos após o último combate da guerra, tendo os reinos infantis em sua maioria se recuperado, deu-se início na cidade de Estel del Baixo Goles, no Sul tamatisco, a conferência de paz que viria a ser chamada Trégua Seca.

As consequências mais importantes da Guerra da Águas e da Trégua Seca foram: o enfraquecimento do Tamatich como potência líder do mundo das crianças; a queda da monarquia landauca, vítima da revolução civil que implantou a primeira e, por muito tempo, única república infantil de que se tem notícia; a anexação de Eix ao território ístaro; e a criação das províncias tuteladas, também chamadas províncias-reféns.

Parte do texto acima foi publicado no apêndice A Guerra das Águas, em O Rei Adulto, vol. 1 - Oeste. Compre seu exemplar aqui!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O estilo de mapas do Google Maps

Há cerca de dois anos, deparei-me com um mapa de Westeros no estilo do Google Maps e fiquei fascinando. Embora o estilo do Google Maps não seja próprio para mundos de Fantasia, sua clareza e estética é bastante cativante. Desde aquele momento, quis produzir algo parecido para o Mundo das Crianças de O Rei Adulto. Mas não sabia nem por onde começar, se fora feito num software, etc.

No ano passado, comecei a experimentar tutoriais de mapas para o Gimp do Cartographers Guild. Após um ano de treino, senti-me confiante para finalmente tentar reproduzir o estilo do Google Maps no Gimp.

(clique para ampliar)
A pista fundamental para entender o design desses mapas é dada por Justin O'Beirne em seu artigo Google Maps & Label Readability: há uma hierarquia de 4 classes para representar os símbolos de cidades e seus rótulos. As cidades são marcadas com círculos sombreados que parecem representações bidimensionais de uma bolinha 3D; o tamanho desse símbolo diminui da primeira à quarta classe, bem como o tamanho do topônimo e seu grau de preto.

Transformei esses símbolos em pincéis para Gimp, que podem ser baixados daqui, caso queira tentar reproduzir o estilo para o seu mapa.

Segue aqui um pequeno, resumido roteiro para ajudar a reproduzir esse estilo:
  • Crie uma camada que representará o fundo de seu mapa. Todas as áreas de mares, lagos e rios devem ter cor #A3CCFF; as áreas de terra (além de ilhas) devem ter cor #F2EFE9. Na camada de fundo, essas são as únicas cores.
  • Acima desta camada, crie uma camada transparente para representar os pântanos. Pinte com um pincel de borda dura todas as áreas de pântanos de seu mundo com a cor #D0D0CC.
  • Acima desta camada, crie uma camada transparente para representar as florestas e áreas verdes (prados, campinas, etc). Novamente, use um pincel de borda dura. Pinte a área das florestas com cor #B3D09D, a área dos campos com cor #D2E4C8. Se quiser representar ainda uma área de vegetação mais árida, use para essas a cor #DFE4C8.
  • Acima desta camada, crie uma camada transparente para representar as colinas e montanhas. Esta é a única camada do Google Maps onde há textura (noutras palavras, não há preenchimento com cor única).  Você pode procurar por texturas de montanhas e dobraduras na internet e aplicá-las às regiões de seu mapa onde elas existem. Antes de aplicá-las, dessature-as, para que fiquem em escala de cinza. Deixe essa camada com opacidade em 30%. Atente para que as montanhas tenham coerência com seus rios.
  • Crie uma camada transparente para as marcações de cidades. Use os pincéis que disponibilizei acima.
  • Abaixo dessa camada, crie uma outra para as estradas. Use duas hierarquias de estradas: as principais devem ter cor #FFC444 com bordas laterais de cor #DB9D11; as estradas secundárias devem ter cor #FBF789 com borda lateral de cor #E9DF86. Para marcar as estradas usei um pincel de borda dura com opção de pincelada suave marcada. As bordas laterais foram feitas com a ferramenta de contornar uma seleção, tamanho 1 pixel, opção anti-serrilhamento marcada.
  • Se quiser marcar fronteiras regionais e/ou nacionais, use uma camada transparente acima da camada de estradas. As fronteiras nacionais são marcadas com cor #666666 e linha sólida; as regionais são marcadas com a mesma cor, porém linha tracejada e mais fina. Em ambos os casos, use anti-serrilhamento ao marcá-las, do contrário ficarão muito brutas.
  • Acima da camada de fronteiras (e abaixo da camada de marcações de cidades), crie um grupo de camadas para guardar os rótulos de topônimos (será mais fácil se deixá-los dentro desse grupo de camadas). Todos os topônimos do Google Maps usam os rótulos da família tipográfica Roboto. Use os tipos de forma coerente com os marcadores de cidades. Para as cidades de primeira e segunda hierarquia use o rótulo com cor #000000; para as de terceira hierarquia use a cor #272626; e para as de quarta hierarquia use a cor #585858. Não esqueça de diminuir o tamanho do rótulo entre as hierarquias. 
  • Para florestas, campos, serras e demais marcos naturais, use Roboto Italic na cor #46820C. Para mares, oceanos e, se quiser, rios, use Roboto Italic na cor #4E82C7.
  • Para os nomes das províncias, use Roboto Medium, sempre em maiúsculas, com cor #90805C.
  • Duplique o grupo de camadas onde se encontram os topônimos e combine todas as camadas desse grupo duplicado, formando uma única camada. Posicione-a abaixo do grupo de camadas de topônimos originais. Faça sobre essa camada duplicada Alfa para a seleção. No menu Selecionar, aumente a seleção em 2 píxeis. Preencha toda essa seleção com a cor branca #FFFFFF. Essa etapa cria uma borda branca brilhante em volta de cada topônimo, que é um dos truques do Google Maps para aumentar a legibilidade.
O tutorial acima é muito simples, mas dá uma pista sobre como recriar o estilo. Após a última etapa, seu mapa estará pronto. Comente abaixo ou escreva-me em particular se tiver dificuldade em reproduzir algum desses passos.

Se você também curte mapas como eu, talvez queira conhecer a Cartographers Guild, veja o vídeo da Lia Rodrigues sobre mapas em livros ou siga a comunidade MapaéTudo no Facebook.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O mapa do jovem pirata

Este mapa amassado foi encontrado há poucos dias nos pertences do jovem pirata Filinto Berruga, que foi perseguido por tropas guaipurinas nas ruas de Alfageme, antes de lograr escapar.


Filinto, também conhecido como Rosto Encardido, é acusado de pilhar todo o carregamento de frutas dos barcos de Suas Altezas, os príncipes Marnado e Maramanta. Foi avistado em Alfageme quando visitava uma menina por quem dizem estar apaixonado, embora ele o negue indignada e ruborizadamente se disso perguntado. Há uma recompensa de cinco barras de chocolate amendoado por informações que levem à sua captura. Interessados devem procurar a capitania dos portos em Alfageme, Rute ou Yacre.



A confecção deste mapa seguiu parcialmente os tutoriais de Jezelf. A tipografia usada foi AI British Writing e AI Bouwsma Script. Decidi explorar esse tutorial documentando com mais detalhe a costa marítima de Teres e Guaipur. Inicialmente, pensei em fazer um mapa maior e bem mais detalhado, com nomes para os diversos recortes do relevo, mas o tamanho da primeira camada deu quase 1 GB, e tive de diminuir suas dimensões e resolução para algo trabalhável. Ainda assim, há resolução suficiente no mapa para ampliá-lo e ver mais detalhes, como os exemplos abaixo mostram.

Golfo da Banguela e o Penhascão, área de intensa pirataria mirim.

Ponta do Alfageme, província mais meridional de Guaipur.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Os Caaporas

Meninos caaporas. Imagem modificada de original em domínio público.

Na grande floresta de Grínkor, vive uma tribo de crianças que chamam a si mesmo de "caaporas" (ka'á + pora = habitante da floresta). Nas cidades macebóis vizinhas à floresta, é mais comum chamá-los de "o povo da mata".


Inicialmente, eles moravam em casas construídas entre os galhos de árvores frondosas, no entorno de uma taba chamada Tabypy (taba + ypy = primeira aldeia). Quando essas árvores morreram, Tabypy foi abandonada e tornou-se uma tapera. A maioria de seus habitantes migrou para o sul da floresta, onde fundaram Ybyraoketá (ybyrá + oka + etá = muitas casas de árvores), uma taba que segue a mesma arquitetura de casas nas árvores de Tabypy. Mas, alguns caaporas preferiram erguer aldeamentos noutras partes da floresta, não necessariamente entre os galhos de árvores. Assim surgiram, entre outras, as cidades de Emaém (E-ma'ẽ! = veja!; em referência à beleza da paisagem), Ipopiraçuí (I por pirá suí = cheia de peixes), Guarinindaba (guarinĩ + taba = aldeia dos guerreiros), Ybytyratá (ybytyra + tatá = montanha de fogo, vulcão), Tukatu (tura + -katu = boa vinda), Sugûypirangapé (Sugûy + piranga + apé = caminho do sangue vermelho; referência ao rio Artéria) e Jaguacuara (Îagûara + kûara = esconderijo da onça). Ybyraoketá foi escolhida como sua capital, em deferência ao estilo de sua antiga Tabypy.

Em Ybyraoketá, é possível ir de casa em casa usando pontes
e cordas, sem precisar descer ao chão. Imagem modificada de
Bamboo House Mawlynnong | © Editor Gol Monitor / Flickr

Eles usam roupas simples, trançadas com fios de cauuma (ka'á + u'uma = planta macia) e têm a pele acastanhada. Alguns gostam de se ornar cordas atadas aos braços e tornolezos, além de pinturas em padrões geométricos pelo corpo. Eles veneram Ka'a'anga Py'aoby (ka'á + 'anga + py'á + oby = espírito da floresta coração verde), aquele que as demais crianças chamam de Grínkor, o Espírito da Floresta.

 
O idioma dos caaporas é o Abanheenga (abá + nhe'enga = língua de gente), mas a maioria deles também sabe se expressar mais ou menos bem em Nortenho. E alguns de seus pajés e xamãs alegam ser capazes de falar diversas Soonheengas (so'ó + nhe'enga = língua de animal).

São amantes de histórias e lendas, e boa parte de sua cultura gira em torno da preservação e transmissão dessas histórias. Grande destaque em sua sociedade tem o sacerdote ou sacerdotisa que carrega o título de Mombeú Mboeçara (mombe'u mbo'e-sara = mestre do narrar), que se encarrega de garantir que as crianças caaporas nunca percam a imaginação, caso o espírito mau Moangu (moanga + 'u = comer ideias) tente comer seus sonhos.

Por apreciarem as histórias, sempre receberam muito bem os visitantes d'além-floresta, especialmente quando estes vêm em buscas e aventuras. Sua gentileza frequentemente era retribuída com algum presente, muitos dos quais não lhes serviam no dia-a-dia. Eles, assim, resolveram que dariam esse presente à próxima busca de crianças que os visitasse. Tal costume deu origem à Jetanonga (îetanonga = dar oferenda, presentear), a cerimônia de troca de presentes entre uma busca do passado e outra do futuro intermediada pelos caaporas.

Mas não pense que eles são um povo tímido, pois também têm suas desavenças com os macebóis e entre eles mesmo. O mais doloroso desses conflitos levou à uma divisão de seu povo: as aldeias Guarinindaba e Jaguacuara uniram-se e pelejaram contra as demais, pois seu chefe Akangatã (akanga + atã = cabeça dura) queria ser coroado líder dos caaporas. Akangatã perdeu essa guerra, mas aliou-se aos macebóis e declarou-se líder dos poretés (pora + eté = povo legítimo); já os caaporas passaram a considerá-los rebeldes tobajaras (tobaîara = inimigo).

Em O Rei Adulto, você conhecerá um pouco mais sobre os caaporas e seu papel na busca de Êisdur. Compre o seu exemplar!

Todas as etimologias apresentadas acima são do tupi antigo, tomado como idioma para representação do Abanheenga. Você pode aprender o tupi antigo a partir dos livros do Prof. Eduardo Navarro ou do já esgotado Curso de Tupi Antigo, do Padre Lemos Barbosa.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Em breve, uma nova edição impressa

Parece um jogo de sete erros, mas é uma atualização dos mapas que acompanham o livro O Rei Adulto.


São seis os mapas que acompanham o volume 1. Foram desenhados a mão, em nanquim, e digitalizados posteriormente. Os topônimos foram anotados também a mão, numa caligrafia especial. Tanto os elementos dos mapas quanto a caligrafia têm inspiração nos mapas de Pete Fenlon, conhecido pelos belos mapas da Terra Média usados no Middle Earth Role Playing Game. Todavia, por mais que eu a tenha tentado normatizar, ao fim minha caligrafia apresentou várias letras com formas variantes aleatórias, prejudicando a homogeneidade do mapa. Além disso, a digitalização em preto-e-branco deixou certas partes dos mapas com difícil legibilidade.

Nos últimos dias, resolvi atualizar os mapas, trocando as anotações dos topônimos por outras numa tipografia digital. Busquei usar tipos elegantes e ainda assim apropriados para um mapa de Fantasia. Escolhi os tipos Alegreya, Almendra e Cormorant, todas fontes Google.

Essa mudança foi motivada por uma novidade: em breve teremos uma edição impressa do volume 1 de O Rei Adulto, publicada pela AZO - Agência Literária. Os mapas atualizados serão usados nessa nova edição. Se você ainda não adquiriu O Rei Adulto por não gostar de ler ebook, não perca a edição impressa!

Veja abaixo, nas amplicações, como o aspecto do mapa mudou. Clique na imagem para ampliá-la!

Baltar e o Lago de Enjânu, caps. 1 e 2 de O Rei Adulto

O que achou? Prefere a versão anterior ou a nova? Deixe seu comentário!

Sul dos Montes Baixos, cap. 3 de O Rei Adulto

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O cartógrafo guaipurino

Todos conhecem o amor das crianças de Guaipur pela arte da marinharia. As praias, enseadas e recortes do litoral deste reino testemunham inúmeras de suas aventuras navais. Em Guaipur, as crianças aprendem a manejar uma vela antes mesmo de saber amarrar os sapatos (mas quando o fazem, usam pelo menos 20 nós diferentes!). Algumas excelem em suas habilidades e tornam-se conhecidos em todo o mundo.

Um desses foi Fernã de Doiro, conhecido como o grande cartógrafo guaipurino, embora seja tamatisco de nascimento. Desde muito jovem, Fernã fazia fama desenhando belíssimos mapas ou metendo-se em confusões. Sua habilidade chegou ao conhecimento do príncipe Talas, que reinava sobre Guaipur à época. Certa vez, ocorreu de Fernã ter-se envolvido em uma briga intensa na cidade em que vivia, Médana, no norte tamatisco. Perseguido pelos garotos contra os quais pelejara, Fernã refugiou-se no leste de Guaipur. Talas soube do incidente e convidou-o para ir à Uríano. Não demorou para que o contratasse como cartógrafo da corte.

Enquanto viveu no mundo das crianças, Fernã produziu vários belos mapas para o príncipe guaipurino, que celebram a expansão marítima de Guaipur. Um desses mapas pode ser visto abaixo. O original encontra-se emoldurado no palácio dos príncipes guaipurinos em Uríano.

Mapa do Mundo das Crianças e dos Que se Foram, confeccionado
por Fernã de Doiro, a pedido do príncipe Talas de Guaipur.

Dizem que, após atravessar o rio das Lágrimas, Fernã aperfeiçoou sua arte e continuou a produzir mapas cada vez mais belos para regentes do mundo dos que se foram. Mas ele não pôde se livrar de um vício genuinamente guaipurino: seus mapas detalham minuciosamente a costa e os oceanos, e deixam o interior para a imaginação dos interioranos...

Costa da África e da Guiné até à ilha de São Tomé, por Fernão
Vaz Dourado (1571), que serviu de inspiração para o mapa e esta estorieta.

domingo, 11 de junho de 2017

As constelações infantis

Quando Êisdur tenta encontrar a Cumacanga, para lhe perguntar onde mora o Rei Adulto, ele acaba dedicando algum tempinho para olhar o céu noturno:
Não resistiu a admirar as constelações, neste ínterim. Bem acima de sua cabeça reluziam as dez estrelas da constelação do Sorvete, que dominava o céu de Teres durante todo o outono e o inverno, como a tentar as crianças para os prazeres refrescantes que as esperavam no verão. Ladeando-a, para leste, as constelações do Soldadinho de Chumbo e da Bailarina, e, para oeste, o Triângulo de Gude e a Nau de Papel. Outra que prontamente reconheceu foi a constelação do Ursinho de Pelúcia, guia fiel dos viajantes, sempre a indicar o Norte. (O Rei Adulto, Cap. 2.)
As constelações infantis são um pouco diferentes daquelas reconhecidas pela ciência formal, embora o céu seja o mesmo. As primeiras foram compostas há muito tempo e, acredita-se, pelos próprios Pais, que as usaram para distrair crianças assustadas com a escuridão da noite. Outras foram incorporadas aos céus posteriormente, por sabichões de vários reinos infantis.

As constelações infantis nos céus do Verão e do Inverno.
(Clique para expandir)

Os pequenos sábios, astrólogos e magos do Tamatich e da Macebólia dedicam mais tempo à cartografia do céu estrelado do que seus colegas de reinos vizinhos. Em seus livros e cadernos, há o registro de 64 constelações. Os guaipurinos e os ístaros contestam esse número, mas nunca produziram um inventário completo das constelações que reconhecem para servir de comparação. Por isso, manteremos as 64 bem estabelecidas.

As constelações infantis retratam aspectos da cultura dos petizes: seus folguedos, brinquedos, festas, lendas e animais de estimação.  Curiosamente, as constelações que dominam o céu noturno durante o Verão e o Inverno são, respectivamente, a do Boneco de Neve e do Sorvete. Um adulto poderia achar que estão trocadas... Mas, na verdade, as crianças é que raramente estão satisfeitas.

Algumas constelações têm nomes diferentes em certos reinos, embora mantenham a forma da figura. Por exemplo, no Tamatich muitos chamam de Guilo & Elara a constelação dos Irmãos; da mesma forma, os ístaros recusam-se a usar os nomes Coroa Ticca e Armas de Tamma preferindo, respectivamente, Coroa do Oriente e Armas da Vitória.

Segue, abaixo, a lista dessas 64 constelações, com algumas notas pertinentes.

Constelação
Estação do Ano
Notas
Abelha
Verão

Apito
Verão

Aranha
Verão
Em Teres e Guaipur, esta constelação é associada à aranha Ravira, que teria tecido o mundo infantil (O Rei Adulto, vol. 1, apêndices).
Arco e Flecha
Inverno

Armas de Tamma
Verão
Em Ístar, é chamada de Armas da Vitória.
Árvore
Inverno
Na Macebólia, esta constelação também é chamada de Árbus, em referência à moradia do Espírito da Floresta (O Rei Adulto, vol. 1, Cap. 13).
Bailarina
Inverno

Balões de Festa
Verão

Bandeirolas
Verão

Baú do Pirata
Verão

Beija-Flor
Verão

Biga
Verão
Na Selúnia, essa constelação é considerada uma representação da busca de Fides pelo pó das estrelas (O Rei Adulto, vol. 1, Cap. 4).
Bolo de Aniversário
Verão

Boneco de Neve
Verão

Bruxa Má
Inverno
Os eicsos associam esta constelação à Bruxa do Hlaborg (O Rei Adulto, vol. 1, Cap. 36).
Cabeça de Abóbora
Verão

Caminho do Tesouro
Verão

Canoa
Verão
Os tamatiscos contam que esta constelação celebra a canoa usada por Guilo e Elara para escaparem de Munchal (O Rei Adulto, vol. 1, apêndices). 
Cão
Inverno

Caracol
Inverno

Castelo de Areia
Inverno

Cavalinho de Pau
Inverno

Cegonha com Bebê
Verão
Em Teres e no sul de Guaipur, as crianças que desejam ganhar um irmãozinho ou irmãzinha costumam fazer seus pedidos estendendo os braços para essa constelação. 
Chapéu de Feiticeiro
Verão

Ciranda Cirandinha
Verão
O governo revolucionário de Landau decretou que essa constelação deve ser chamada A União Faz a Força, para o bem da república.

Faz parte desta constelação a estrela mais brilhante do céu. 
Cobra
Inverno
Os caaporas chamam esta constelação de Pytuna, em referência à serpente que traz a noite (O Rei Adulto, vol. 1, Cap. 15). Já em Guaipur, a constelação é denominada Serpente Marinha.
Coroa Ticca
Inverno
Em Ístar, é chamada de Coroa do Oriente.
Dobradura
Inverno

Dragão
Verão

Elefante
Inverno

Espada
Inverno
Alguns sabichões contam essa constelação como um mero asterismo da constelação do Soldadinho de Chumbo
Estilingue
Inverno

Fantasma
Inverno

Fogueira
Inverno

Gatinho com Bola
Inverno

Golfinho
Inverno

Gooey Kablooey
Inverno

Iguana
Verão

Irmãos
Verão
No Tamatich, costuma ser chamada de Guilo & Elara, em homenagem aos dois príncipes que unificaram o reino (O Rei Adulto, vol. 1, apêndices). 
Lacinho
Inverno

Lampada
Inverno

Livro
Inverno

Menino Caçador
Verão
É a constelação mais facilmente reconhecida. Também é denominada de Três Marias mais Quatro Zezinhos, nas regiões montanhosas de Teres, em referência às suas estrelas principais.
Nau de Papel
Inverno
É a maior constelação do céu. 
Paleta de Aquarela
Verão

Palhaço
Verão

Papagaio
Inverno

Patinho de Borracha
Inverno
Uma das constelações originais compostas pelos Pais. Situa-se no céu do inverno para estimular as crianças a não evadirem ao banho, durante os dias frios.
Peixinho
Verão

Pião
Inverno
Na Gandaia, essa constelação é considerada parte da constelação Pipas, que se situa ao lado. 
Piñata
Verão

Pipas
Inverno

Pirulito
Verão

Porquê
Inverno
Uma das constelações originais compostas pelos Pais. Celebra as constantes e inconvenientes perguntas que as crianças mais novas fazem quando buscam entender o mundo.
Soldadinho de Chumbo
Inverno

Sorvete
Inverno

Tamborete
Verão

Tartaruga Marinha
Verão

Tenda
Verão

Trenó de Neve
Inverno

Triângulo de Gude
Inverno

Unicórnio
Inverno

Ursinho de Pelúcia
Inverno
Uma das constelações originais compostas pelos Pais. Segundo os viajantes, a cabeça do ursinho aponta para o norte, servindo-lhes de guia.
Vaso de Flores
Verão