Translate

Mostrando postagens com marcador Guaipur. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guaipur. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de janeiro de 2018

Baixe os mapas do livro!

Os mapas que acompanham O Rei Adulto são muito importantes para permitir um melhor acompanhamento da história.

Tanto na versão digital, quanto na edição impressa, os mapas ficam muito pequenos, devido à limitação desses meios.

Por isso, você, leitor, talvez prefira baixá-los com maior resolução abaixo. Clique nos mapas para ampliá-los e baixá-los.


Mapa geral, que apresenta os reinos infantis e o "Mundo dos que se foram" a norte do Rio das Lágrimas. A história começa no canto inferior esquerdodeste mapa. Os limites tracejados indicam o mapa ampliado correspondente que deve ser consultado.

Oeste de Teres e Sul de Guaipur. A cidade natal do protagonista, Párnon, pode ser vista no canto superior direito. Mas o Capítulo 1 se inicia em Baltar, no canto inferior esquerdo.

Leste de Teres. Mapa que corresponde aos eventos dos Capítulos 3 até 10. As cidades visitadas são: Sanjana, Calpulcra, Iátavra, Estel, Paço e Evena.

A Macebólia e a Grande Floresta de Grínkor. Este mapa corresponde aos eventos dos Capítulos 11 até 20. As cidades visitadas são: Estel, Evena, Viscaia, Lampur, Árbus, Ybyraoketá e Lyrnyra.

Eix e Ístar. Este mapa corresponde aos eventos do vol. 2, ainda inédito, porém no volume 1 há referência a locais que aí se encontram.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Os brasões


Em O Rei Adulto, os brasões dos reinos infantis representam traços adicionais da cultura de cada povo. Mesmo seus formatos diversos não são aleatórios: a maioria se baseia em formatos tradicionais da heráldica europeia.

Foram criados em 1997, quando comecei a sentir necessidade de referenciar-me à história e aos símbolos nacionais dos reinos infantis:

No peito, tinha um medalhão com o brasão de Baltar; no broquel, levava seu próprio brasão cinzelado: em campo azul, um unicórnio dourado. O azul era a cor da Ordem dos Cavaleiros de Baltar, e o unicórnio era símbolo do Tamatich, cujo direito de uso lhe fora concedido após a Grande Busca. (O Rei Adulto, Cap. 4.)

Vôlmer entregou a Wáldron um pequeno bastão de madeira, pintado em faixas alternadas de vermelho e branco, que eram as cores oficiais da Macebólia. Nas pontas havia um barbante dourado enrolado e colado na madeira, para dar ao bastão um toque especial. Wáldron ficou olhando meio perplexo para o bastão. Aquilo era um cabo de vassoura que eles mesmos tinham cortado e pintado! Ao menos, imaginação tinham de sobra... (O Rei Adulto, Cap. 19.)

Sendo o Tamatich o reino mais tradicional e conservador, seu escudo tem o formato ogival ou português primitivo (também chamado francês medieval). Teres e Landau usam o formato português clássico (ou ibérico), de fundo arredondado. Nota-se ainda, no brasão de Landau, uma similaridade com brasões municipais brasileiros, com suportes e divisa, posto que Landau é a única república em meio às monarquias. Guaipur usa um escudo com formato inglês, que se liga à sua preferência por aventura marinheira --- sendo a Inglaterra uma ilha, sua expansão sempre dependeu de uma marinha forte. A Macebólia usa um formato de escudo alemão, coerente com outros traços de sua cultura. Eix usa um escudo praticamente quadrado, devido à mania de seu povo em ver o mundo em caixinhas... Já Ístar escolheu uma pipa, que exalta as diversas pipas altaneiras em seus céus, bem como os valores rueiros de seu povo.

Abaixo, informações mais específicas de cada escudo.


Tamatich. Escudo ogival (português primitivo), talhado de verde e vermelho, com um unicórnio dourado saltante sobreposto. O vermelho representa o antigo reino de Tamma, enquanto o verde representa o antigo reino de Ticch; de sua união surgiu o Tamatich. O unicórnio dourado marca sua profunda ligação com os contos de fada, cavalaria e fantasia.
Teres. Escudo português clássico, esquartelado, com borda branca. A pala xadrezada faz referência às Guerras do Alimão, quando Teres conquistou diversos reinos vizinhos. A cruz pátea representa, na verdade, como Teres se vê: no centro das rotas que partem para o norte, o sul, o leste e o oeste (o que não é bem verdade, pois é o reino mais isolado...).

Laundau. Escudo português clássico, cortado em ponta, vermelho e amarelo, com uma banda vermelha cozida à ponta, suportes e divisa. No franco quartil, uma enxada e um ancinho amarelos cruzados em aspas, símbolo do trabalho que dignifica o campesino. Os três besantes (círculos) dourados da banda inferior representam as primeiras províncias landaucas. A divisa traz o famoso lema da revolução: Coniunctus Populus Nunquam Vincetur (O povo unido jamais será vencido), euforicamente bradado durante a queda da monarquia após a Guerra das Águas.
Guaipur. Escudo inglês, azul com ondas em amarelo, carregando um navio visto de popa e um sol poente alaranjado em abismo (ao fundo). O navio, sol e ondas representam a paixão guaipurina pela aventura no mar.
Macebólia. Escudo alemão branco, com um repouso de lança à direita, terçado em contrabanda vermelha, carregada de quatro torres marrons, com uma flor de lis preta no cantão esquerdo da ponta. É o único dos escudos que usa um timbre: a árvore frondosa, que representa a floresta de Grínkor. As torres da contrabanda representam os quatro reinos que se uniram para formar a Macebólia, enquanto a flor de Lis é o símbolo de sua capital Lyrnyra.
Ístar. Escudo em forma de pipa, preto flanqueado de verde, com uma estrela e crescente amarelos e brocantes (ao centro), partido em asna amarela carregando uma serpente rampante verde, com a rabiola amarela disposta como uma divisa. O significado do brasão é uma provocação aos demais reinos: os ístaros pretender dominar o espaço aéreo, tanto quanto as terras vizinhas.
Eix. Escudo aproximadamente quadrado, partido de branco e preto; brocante, de um no outro, a águia real bicéfala dos eicsos. Tanto a forma do escudo quanto suas cores representam como os eicsos em geral veem seu mundo: sem nuances, ou isso ou aquilo.

domingo, 24 de setembro de 2017

A Guerra das Águas

 

As crianças sempre viviam em clima de guerra, e raro foi um ano passar totalmente em paz. Muitos sabichões tentaram precisar as causas dessa hostilidade, mas só conseguiram descobrir que toda criança parece possuir predisposição para qualquer tipo de combate e que tal natureza bélica é mais evidente em meninos. As guerras parecem ter sido uma das atividades mais populares entre as crianças.

Dizem as lendas que tudo começou com uma bolinha de papel tacada, por ninguém sabe quem, em alguém que parece não ter gostado. Esse único fato gerou a Primeira Guerra das Bolinhas de Papel, também chamada “A Mãe das Batalhas”.

As batalhas foram se tornando mais sofisticadas a cada ano, e todo um arsenal era desenvolvido. Os reinos lançavam-se nos conflitos por qualquer provocação, sem medir consequências. Há registros de Guerras de Espumas de Sabão, de Lama, de Bolas de Neve (famosas guerras sazonais de inverno), de Tinta, de Frutas e Ovos Podres (que podiam empregar frutas e ovos frescos, quando os podres acabavam), de Carrapichos, de Sementes de Mamona, Caroços de Azeitona, Almofadas, Amêndoas, etc., além das nobres e irresistíveis Guerras de Bolinhas de Papel.

Mas os conflitos não se restringiam apenas ao lançamento desordenado das coisas que davam nome à guerra. Nos bastidores dos palácios havia uma complicada rede de espionagem e alcaguetagem que colhia fofocas, espalhava boatos e sabotava os planos dos inimigos. Alguns reinos possuíam até um batalhão de feiticeiros para garantir vitória plena e rápida.

Consta ter havido uma única Guerra das Águas, ao menos em tempos recentes. Oficialmente, ela teve início quando Azei, príncipe ístaro recém-coroado, em viagem diplomática por Landau, foi recebido com um balde de água fria, arremessado por desconhecidos de cima dum prédio. Profundamente irritado, Azei prometeu que iria à forra. Meses depois, ele deu início à guerra, ao invadir o Sul de Landau com grande exército, munido de pistolas aquáticas, metralhadoras de jato d’água e granadas hidráulicas. Foi o estopim para um grande conflito, que rapidamente se espalhou aos demais reinos.

Inicialmente, cada soldado levava às costas um barril de água para garantir que houvesse munição disponível. Mas as primeiras batalhas e o entusiasmo das tropas demonstraram que era necessária uma quantidade maior de água. Quase simultaneamente, os reinos iniciaram a construção de piscinas próximas às zonas de conflito, para abastecer os exércitos. E assim foi levada a guerra, durante cinco anos, sem que qualquer reino obtivesse vantagem significativa.

Até que uma manobra desleal foi tramada por Ístar: o represamento do Lenx, o enorme rio que cruza diversos países em sua viagem ao mar. A tática ístara era dupla, uma vez que, ao mesmo tempo em que impedia que os reinos ribeirinhos renovassem seus estoques aquáticos, ainda possibilitava aos ístaros guardar somente para si a preciosa munição. Quando o Lenx secou, a tramoia dos ístaros foi revelada e a guerra tomou novo rumo. Eicsos, tamatiscos e landaucos tentaram de todas as formas impedir o represamento, fosse diplomática, fosse subversivamente, mas sem êxito. Para piorar a situação, Teres resolveu também represar os rios que nasciam em seu território, sob a alegação de serem patrimônio nacional.

Para que a guerra fosse mantida, os reinos que não tinham nascentes iniciaram a apropriação de poços, lagos, lagunas, lençóis d’água e tudo mais, numa atitude de desespero, declarando-os confiscos de guerra e impedindo o acesso à plebe. Alguns soldados, isolados no campo de batalha, só podiam lutar com o pouco que tinham à mão, o que na maior parte das vezes era o próprio xixi.

O poder de fogo dos reinos montanhosos era, entretanto, indiscutivelmente maior. Ístar demonstrou-o ao tomar de assalto de uma só vez todo o reino de Eix (e dizem que sem derramar uma gota d’água sequer!). No sudoeste tamatisco, Teres iniciava uma série de conquistas, e, ao Norte, Guaipur, que contava com infinitas reservas da terrível água salgada, por arder nos olhos, ocupou a Selúnia e avançou sobre Púrpura.

Mapa do conflito

Mas as consequências não tardaram a ser sentidas. A seca assolou os reinos do Tamatich, Landau e boa parte da Macebólia, arruinando a agricultura e a pecuária. Deu-se início a uma feroz Guerra Civil de Pedras e Cascalhos pelo controle de poços e fontes de água. Nas montanhas, Teres e Ístar experimentaram, por sua vez, as piores enchentes já vistas em todo o mundo, ocasionadas pelo represamento dos rios. As enchentes destruíram fazendas, castelos e cidades, fazendo aparecer terríveis pestes.

O reino que parece ter sofrido menos na guerra foi Guaipur. Esse fato foi largamente utilizado pelos guaipurinos como atestado de vitória, e ainda o é, muito embora os sabichões especializados no evento afirmem que, no cômputo geral, a Guerra das Águas não apresentou vencedor. As razões apresentadas pelos guaipurinos são que seu reino não sofreu enchente; que falta d’água foi um assunto cogitado apenas por aqueles que procuravam desculpas para não tomar banho; e que nenhum outro reino poderia barrar-lhes o avanço para o sul, pois estavam mais equipados e em maior número.

Passados anos após o último combate da guerra, tendo os reinos infantis em sua maioria se recuperado, deu-se início na cidade de Estel del Baixo Goles, no Sul tamatisco, a conferência de paz que viria a ser chamada Trégua Seca.

As consequências mais importantes da Guerra da Águas e da Trégua Seca foram: o enfraquecimento do Tamatich como potência líder do mundo das crianças; a queda da monarquia landauca, vítima da revolução civil que implantou a primeira e, por muito tempo, única república infantil de que se tem notícia; a anexação de Eix ao território ístaro; e a criação das províncias tuteladas, também chamadas províncias-reféns.

Parte do texto acima foi publicado no apêndice A Guerra das Águas, em O Rei Adulto, vol. 1 - Oeste. Compre seu exemplar aqui!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O mapa do jovem pirata

Este mapa amassado foi encontrado há poucos dias nos pertences do jovem pirata Filinto Berruga, que foi perseguido por tropas guaipurinas nas ruas de Alfageme, antes de lograr escapar.


Filinto, também conhecido como Rosto Encardido, é acusado de pilhar todo o carregamento de frutas dos barcos de Suas Altezas, os príncipes Marnado e Maramanta. Foi avistado em Alfageme quando visitava uma menina por quem dizem estar apaixonado, embora ele o negue indignada e ruborizadamente se disso perguntado. Há uma recompensa de cinco barras de chocolate amendoado por informações que levem à sua captura. Interessados devem procurar a capitania dos portos em Alfageme, Rute ou Yacre.



A confecção deste mapa seguiu parcialmente os tutoriais de Jezelf. A tipografia usada foi AI British Writing e AI Bouwsma Script. Decidi explorar esse tutorial documentando com mais detalhe a costa marítima de Teres e Guaipur. Inicialmente, pensei em fazer um mapa maior e bem mais detalhado, com nomes para os diversos recortes do relevo, mas o tamanho da primeira camada deu quase 1 GB, e tive de diminuir suas dimensões e resolução para algo trabalhável. Ainda assim, há resolução suficiente no mapa para ampliá-lo e ver mais detalhes, como os exemplos abaixo mostram.

Golfo da Banguela e o Penhascão, área de intensa pirataria mirim.

Ponta do Alfageme, província mais meridional de Guaipur.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O cartógrafo guaipurino

Todos conhecem o amor das crianças de Guaipur pela arte da marinharia. As praias, enseadas e recortes do litoral deste reino testemunham inúmeras de suas aventuras navais. Em Guaipur, as crianças aprendem a manejar uma vela antes mesmo de saber amarrar os sapatos (mas quando o fazem, usam pelo menos 20 nós diferentes!). Algumas excelem em suas habilidades e tornam-se conhecidos em todo o mundo.

Um desses foi Fernã de Doiro, conhecido como o grande cartógrafo guaipurino, embora seja tamatisco de nascimento. Desde muito jovem, Fernã fazia fama desenhando belíssimos mapas ou metendo-se em confusões. Sua habilidade chegou ao conhecimento do príncipe Talas, que reinava sobre Guaipur à época. Certa vez, ocorreu de Fernã ter-se envolvido em uma briga intensa na cidade em que vivia, Médana, no norte tamatisco. Perseguido pelos garotos contra os quais pelejara, Fernã refugiou-se no leste de Guaipur. Talas soube do incidente e convidou-o para ir à Uríano. Não demorou para que o contratasse como cartógrafo da corte.

Enquanto viveu no mundo das crianças, Fernã produziu vários belos mapas para o príncipe guaipurino, que celebram a expansão marítima de Guaipur. Um desses mapas pode ser visto abaixo. O original encontra-se emoldurado no palácio dos príncipes guaipurinos em Uríano.

Mapa do Mundo das Crianças e dos Que se Foram, confeccionado
por Fernã de Doiro, a pedido do príncipe Talas de Guaipur.

Dizem que, após atravessar o rio das Lágrimas, Fernã aperfeiçoou sua arte e continuou a produzir mapas cada vez mais belos para regentes do mundo dos que se foram. Mas ele não pôde se livrar de um vício genuinamente guaipurino: seus mapas detalham minuciosamente a costa e os oceanos, e deixam o interior para a imaginação dos interioranos...

Costa da África e da Guiné até à ilha de São Tomé, por Fernão
Vaz Dourado (1571), que serviu de inspiração para o mapa e esta estorieta.

sábado, 1 de abril de 2017

Etimologia. II. Nomes das províncias


Na primeira postagem desta série, expliquei a origem dos nomes usados para os reinos infantis. Nesta, registro o que me recordo sobre como os nomes das províncias de cada reino foram formados.

Meu mapa inicial, de 1991, não continha nomes de províncias, mas somente nomes dos reinos e algumas regiões (florestas, etc.). O segundo mapa, de 1992, já apresenta alguns nomes de províncias, porém só a partir do terceiro mapa que comecei a me preocupar com isso.

Para os nomes de províncias, tentei ser mais sistemático do que no caso dos nomes de reinos ou cidades e adotei um critério vagamente similar ao que a União Astronômica Internacional usa para nomear acidentes geográficos em corpos celestes: elegi um tema e busquei denominações ligadas a esse tema. Certamente, algumas exceções se imiscuíram, como ficará claro abaixo.

Os temas foram:
Reino Critério de nomeação
Teres Características geográficas, históricas ou culturais
Tamatich Cores, de preferência denominações arcaicas ou pouco frequentes
Guaipur Denominações marítimas ou baseadas numa visão de mundo que privilegia o mar
Ístar Palavras provenientes de gírias ou expressões populares, de preferência adequadas à infância
Macebólia Inicialmente, palavras relacionadas ao coração, devido à floresta de Grínkor.

Posteriormente esse critério foi completamente abandonado e as províncias foram renomeadas segundo um critério linguístico.

As duas províncias habitadas pelos caaporas possuem denominações que fogem desta regra.
Landau Não houve um critério específico

Assim temos, em Teres:
  • Prima, do lat. prima 'começo, início', onde o reino de Teres foi fundado.
  • Bela, do port. bela, caracterizada pela beleza das montanhas nevadas, abundância de cachoeiras e pelo vale do rio Flafir.
  • Fidela, do lat. fidelis 'leal, sincero, em quem se pode confiar', antigo reino de Buldo, é a província que garante a integridade do reino de Teres, pois mantém a defesa das fronteiras setentrionais e orientais, que ficam distantes da capital.
  • Arbórea, do lat. arborea 'relativo a árvore', quase integralmente coberta pelo sul do Bosque Esquecido.
  • Montana, do lat. montana 'relativo aos montes', que compreende a maior parte dos Montes Baixos.
  • Gnômia, do port. gnomo, largamente habitada por seres fantásticos.
  • Deserta, do port. deserto, pois é marcada por um deserto junto ao mar e se funde com as terras áridas do Sul Ignoto.
  • Remota, do port. remota, a província mais distante da capital Venânsi.
  • Anátema, do lat. anathema 'excomunhão'. Corresponde a uma região muito tradicionalista do antigo reino de Tamma. Mesmo após a unificação de Tamma e Ticch, continuou ligada aos valores tammanos. Na divisão territorial do Tamatich, era chamada de Magenta. Foi conquistada por Teres e jamais aceitou isso facilmente. São constantes as rebeliões na província, que passou a se denominar Anátema, para explicitar seu desejo de isolar-se do reino de Teres.
No Tamatich:
  • Blau, Sinople, Goles e Sable: são nomes de cores na heráldica usadas, respectivamente, para o azul, verde, vermelho e preto. Atentando para outros nomes nos mapas percebe-se que na província de Blau situam-se os Prados Azuis e na província de Goles situa-se a Floresta Vermelha. Os demais nomes não têm ligação direta com algum traço geográfico, mas apenas completam a paleta de cores.
  • O Sable, na verdade, é a parte conquistada pelo Tamatich da província macebol denominada Beimir. Informalmente, é o chamado "Corredor Macebol", uma faixa de terra alta marcada por várias cidades pequenas ao longo da estrada que une o norte e o sul da Macebólia.
  • Nívea, do lat. nivea 'de neve', Doiro, do port. 'de ouro', Argenta, do lat. argentea 'de prata' e Ocre completam os demais nomes de províncias tamatiscas.
  • A província guaipurina Púrpura é, na verdade, a antiga província tamatisca de mesmo nome, conquistada durante a Guerra das Águas.
  • O Tamatich também teve no passado uma província chamada Ciano, além da província Magenta (atual Anátema). Ciano também era conhecida tradicionalmente como Selúnia e retomou o nome antigo após ser conquistada por Guaipur.
Em Guaipur:
  • Costa Norte e Costa Sul denominam as províncias costeiras.
  • Condado denomina a província onde o reino de Guaipur teve início. Esse nome é uma referência às terras que Fides recebeu na outra margem do rio (a história de Fides é contada no capítulo 4 do vol. 1 de O Rei Adulto).
  • Púrpura, como explicado acima é originalmente uma província do Tamatich.
  • Terradentro, da aglutinação terra + adentro. Província interna, sem costa.
  • Riacima, da aglutinação rio + acima. Compreende a parte mais alta do interior, na subida do rio que flui dos Montes Baixos e do Bosque Esquecido.
  • Ponta, denomina a província formada por diversos cabos e promontórios. Seu nome é vem de Ponta do Alfageme, nome de um desses acidentes geográficos.
  • Corsários, nome do arquipélago conhecido pela atividade de pirataria.
  • Selúnia. Em meus mapas antigos, essa região era denominada Braço, pois parecia um grande braço de terra separado da região principal de Guaipur. Braço segue a regra para nomes de províncias guaipurinas. Mas o nome não me agradou muito. Por volta de 1995, comecei a criar mapas históricos, para elaborar lendas do mundo infantil. Nesses mapas históricos, o nome da região aparece pela primeira vez como Celúnia, nome que penso ter formado apenas pela sonoridade, buscando palavras com sufixo -IA átono latino. Do que me recordo, a forma Selúnia (com S) foi criada concomitantemente à lenda de Fides, onde há uma alusão ao encontro entre o filho do Sol e a Lua. Assim, a transformação de Celúnia em Selúnia acabou sendo inspirada pela junção de duas palavras que significam Lua: o grego Σελήνη /Selene/ e o latim Luna.
Para a Macebólia, inicialmente imaginei apenas duas províncias, uma ao norte e outra ao sul da floresta de Grínkor. Seus nomes eram Ventrícul e Aurícul. Depois considerei que esses nomes eram muito bobos e busquei outro critério para nomeá-las. Por esse momento, já tinha formado a identidade entre Macebólia e cultura ligeiramente eslavo-germânica. Foi daí que vieram:
  • Beimir. Embora exista a expressão alemã "bei mir" (comigo), o nome Beimir foi escolhido apenas por lembrar fonemas alemães. Não houve em sua adoção nenhuma escolha proposital pelo seu significado.
  • Schless, inspirado no alemão Schloß 'castelo', uma referência a situar-se nesta província a sede do reino macebol.
  • Naron e Torga (e seu nome antigo Astorga) não são germânicos. Neste caso inspirei-me em nomes ibéricos. Naron saiu de um anagrama de Aragón após o abandono de duas letras, e Astorga, do lat. Asturica, é uma cidade espanhola.
  • Grínkor, aglutinação do inglês green 'verde' + lat. cor 'coração', denomina tanto a floresta quanto a província onde vivem os caaporas.
  • Poretama, do tupi poretama 'terra do povo', é como se denomina a província habitada pelos poretés/tobajaras, os caaporas rebeldes que se uniram aos macebóis contra o governo das meninas caaporas (a história dos tobajaras é contada no capítulo 15 do vol. 1 de O Rei Adulto).
 Para Ístar:
  • Gandaia, do port. gandaia 'boa vida, vida de malandro'.
  • Vagau, abreviação do port. vagabundo no sentido de 'que gosta de vida fácil'.
  • Dedel, gíria do português.
  • Toatoa, da aglutinação tô + à + toa.
  • Beleléu, gíria do português usada para designar algo muito remoto. Denomina a província mais distante.
  • Falatina, referente a falar demais. Denomina a província em que se situam os Montes que Falam.
  • Carussuçu, corruptela de Carusso do Sul, parte da província landauca conquistada pelos ístaros durante a Guerra das Águas.
  • Eix. Na realidade é o nome de um reino conquistado pelos ístaros. Supõe-se que Eix possua províncias, embora eu nunca tenha refletido sobre elas, pois sua estrutura administrativa foi desmantelada pelos ístaros após a conquista.
E no caso de Landau, tal como na Macebólia, inicialmente dividi-o apenas em duas províncias com nomes Landau Sul e Landau Norte. Depois, estes foram abandonados e todo o território dividido em 4 províncias:
  • Carusso do Norte e Carusso do Sul mantém a dualidade Landau Sul e Landau Norte original. Não me recordo da origem do nome Carusso mas não me passa despercebido a associação sonora com russo/rússia, que inclusive inspira aspectos do brasão landauco.
  • Hoxxa vem do nome do herói landauco Brademir Hoxxa.
  • Anguri é um nome cuja etimologia me escapa, pois foi criado há muito tempo e não guardei registros. Tenho a sensação de que ele designaria um tipo de animal da região e creio que o -i tônico final da palavra é um plural, como o plural do italiano. Por muito tempo, convivi com a sensação de que a região de Landau no entorno do Bosque dos Acruxos tivesse animais diferentes, particularmente um tipo de roedor, que as crianças usavam como animal de estimação. Creio que a origem da palavra venha daí.
Como os nomes das províncias foram criados só após alguns capítulos da história terem sido escritos, eles guardam detalhes interessantes sobre as diversas relações que eu ia fazendo à medida que escrevia O Rei Adulto.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O Arquipélago dos Corsários

A oeste de Guaipur, encontra-se um arquipélago composto por sete grandes ilhas e nove ilhotas. Chama-se Arquipelago dos Corsários, devido ao grande número de piratas mirins que lá vivem.



Lá também há crianças leais à corte em Guaipur. O próprio arquipélago compõe uma província guaipurina chamada Corsários, com capital em Yacre, na Ilha da Hidra. Em tese, os príncipes guaipurinos poderiam dar cabo da pirataria sem muito esforço, graças à força bélica de sua extensa frota. Mas, que graça isso teria? No Mundo das Crianças, ninguém gosta de ser o estraga-prazeres que impede a brincadeira.

A maior das ilhas se chama Ilha do Corsário, no singular mesmo, pois lá viveu há muito tempo um velho pirata rabugento, cujos netos e sobrinhos-netos formaram o primeiro bando de foras-da-lei ultramarinos, tão famosos e intrépidos, que atraíram diversas crianças para sua tripulação. Ao menos, é o que reza a lenda.

As demais ilhas são a da Hidra, onde fica o palácio do governador provincial e o monstro que a batiza; dos Dois Picos; da Sereia Muda; Sombria; do Tesouro; e do Pedro Pão. A Ilha do Tesouro é, de longe, a mais famosa de todas. Diversos mapas chegam a mostrar onde aproximadamente se encontra enterrado o famoso tesouro do Pirata da Perna de Pau, outro velho que por lá navegou em eras remotas. Várias buscas tentaram desenterrá-lo, sem sucesso. Os próprios habitantes do local riem de tantos caçadores de tesouro que lá vão, pois creem que o local marcado nos mapas é meramente um blefe para ocultar o real esconderijo.

Há histórias antigas de que muitos outros arquipélagos possam existir mais a oeste. Ao menos, quando o lendário Fides migrou em busca do pó das estrelas, seguiu naquela direção e deparou-se com muitas terras. Algumas expedições já tentaram encontrá-las, mas não sabemos se tiveram sucesso, pois os príncipes guaipurinos querem evitar o interesse e concorrência de outros reinos em atividades marítimas.

Se você quiser visitar o arquipélago, o modo mais simples e seguro é tomar um barco em Rute, o porto mais a oeste da Serra da Neblina. De lá partem diariamente várias embarcações para Yacre e Jamesvila. Mas tome cuidado com quem negociar sua passagem: pode acabar recrutado para um barco pirata sem se dar conta.




Este foi o primeiro mapa que fiz do arquipélago. Ele foi introduzido em meus mapas em torno de 1993, mas nunca tinha sido detalhado, posto que não figura como cenário de nenhuma história ou apêndice de O Rei Adulto. A forma exata do arquipélago foi estabelecida apenas num mapa de 1997, mostrado ao lado.

Decidi detalhar agora o arquipélago para testar o tutorial Saderan para mapas de fantasia. Este tutorial apresenta um interessante tratamento para costas e relevo, tanto marinho quanto terrestre, que me pareceu ideal para uma região cheia de ilhas. Além disso, como todo autor de Fantasia já deve ter experimentado, o ato de cartografar uma região descortina possibilidades à criatividade e fomenta novas histórias.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Etimologia. I. Os nomes dos reinos


Teres, Tamatich, Landau, ... Donde vieram esses nomes? Significam algo?

Felipe Pamplona, um amigo e ex-aluno que teve a oportunidade de ler O Rei Adulto quando ainda este ainda não tinha sido publicado, um dia apresentou-me esta questão. Por que não há nos apêndices do livro comentários acerca da etimologia dos nomes empregados ao longo da história?

A resposta é que não achei que isso fosse interessar à maioria dos leitores. Mas, desde então, um ou outro me perguntou algo parecido. Assim, considerei iniciar uma série de postagens acerca da etimologia de alguns nomes.

Não segui um esquema coeso e homogêneo, como o fizeram Tolkien e George R. R. Martin. Ao contrário, fui muito inconstante na escolha dos topônimos, ora buscando nomes com significado num idioma ou hibridismos, ora buscando apenas nomes que aludissem algo, ou apenas nomes que me soavam agradáveis, mesmo que não tivessem sentido algum. Em alguns casos, os nomes foram modificados mais de uma vez, até que o resultado me satisfizesse.

Nesta postagem, comentarei sobre a motivação para os topônimos mais frequentes no livro: aqueles empregados para nomear os reinos infantis.

Teres. Sendo o reino onde a história se inicia, o topônimo Teres foi o primeiro a ser criado. Nessa época eu ainda planejava escrever uma história diferente, e Teres era o nome pelo qual eu designaria toda região (um continente ou o mundo) em que os eventos transcorreriam. Daí vem o nome Teres: uma alusão à Terra, como se contivesse o significado "essa é nossa terra, nosso lar".

Landau. Este foi o segundo ou terceiro nome de reino que criei. Sua origem se relaciona com a do nome anterior. Da palavra inglesa "land" criei Landau (com pronúncia aportuguesada). Como sou astrônomo, muitos imaginam que o nome Landau venha do físico L. Landau, autor de vários livros-texto usados nos cursos universitários. Porém, a origem dessa terminação -au é o pseudossufixo -aŭ usado em algumas palavras invariantes do Esperanto (por ex: ambaŭ, ankaŭ, laŭ, kontraŭ, etc). Desejando que o nome deste reino tivesse uma terminação incomum, recorri a esse ditongo esperantista.

Guaipur. Criei esse topônimo no mesmo dia que criei Landau. E, novamente, buscava sons ou terminações pouco usuais. Tendo usado a terminação -au, cogitei em outros ditongos agradáveis ao ouvido (ao menos ao meu). De -au, pensei em -ua, e daí para o tritongo -uai, presente em Uruguai e Paraguai. Guaipur surgiu dessa mescla das letras desses dois países da América do Sul.

Tamatich. A origem desse nome é muito simplória: quando eu produzia o primeiro mapa do Mundo das Crianças, em 1992, tocava no rádio uma canção do grupo Kid Abelha e os Abóboras Selvagens intitulada Tomate. Eu provavelmente estava cansado de criar nomes apenas para preencher o mapa em sua primeira versão. Por isso, acabei frivolamente usando o nome da canção para inspirar o nome do reino e anotei: Tomatis (oxítona). Com o tempo, a narrativa fez os protagonistas rumarem para essa região e a denominação Tomatis passou a me incomodar muito. Apesar disso, não o mudei drasticamente; passei a denominá-lo Tamatis. Essa mudança me soou melhor, mas acabou colidindo com o nome Ramatis (uma famosa entidade do Espiritismo). A terceira modificação: a palatalização do S final em CH ([ ʃ ]) — provavelmente vício de minha pronúncia carioca — me agradou bastante. Anos depois passei a considerar que Tamatich fosse um nome composto, tal como Budapeste, proveniente da união de dois reinos rivais: Tamma e Ticch (CCH seria a fricativa palatal surda [ ç ]). E a partir dessa consideração, muitas outras histórias e ideias foram surgindo, afastando-me definitivamente dos tomates...

Macebólia. Esse foi um nome criado a partir de uma combinação de sons cujo resultado me agradasse. Há vários topônimos criados com base nesse critério e que não significam nada em particular. Eu apenas buscava um nome que tivesse terminação -ólia, para poder ter um gentílico terminado em -ol, similar à dupla Mongólia-Mongol.

Grínkor. Não é um reino propriamente dito, mas sim uma região semiautônoma da Macebólia, bem como o nome da enorme floresta onde vive o povo da mata.


Esse nome é um hibridismo formado pelas palavras inglesa "green" (verde) e latina "cor" (coração). Essa etimologia é bem óbvia: as próprias crianças chamam a floresta de Coração Verde e a mancha da floresta no mapa lembra um grande coração invertido.

Provavelmente esse nome é o que transmite a sensação a alguns leitores de que todos os demais topônimos escondam algum significado. Chamei a floresta de "Coração Verde" como uma analogia ao termo "Pulmão Verde" frequentemente usado para a floresta amazônica. Buscava enfatizar mais a ligação afetiva de crianças com a natureza, por isso substituí o pulmão pelo coração.

Ístar. Esse nome vem de Ishtar, a deusa babilônica. Assim como no caso do Tamatich, usei essa denominação logo na primeira versão do mapa. Desde o começo da história, talvez pela forma das massas de terra que usei no mapa, vi-me preso numa associação involuntária entre esse reino e partes da Ásia Menor. A própria cidade ístara de Lize, situada num avançado estreito de terra entre dois rios, me fazia pensar em Constantinopla.

Eix. Este nome foi derivado por redução. Inicialmente, imaginei um povo muito aguerrido mas historicamente subjugado pelos ístaros. Ao associar Ístar à Ásia Menor, pensei nos antigos hicsos. Deste nome histórico, criei eicsos. E a partir deste último, por redução, nomeei seu antigo reino como Eix.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Guaipur: o reino do mar

Ahoy, jovem marujo! Pronto para desfraldar a vela de sua embarcação e sair em busca de mais uma ilha perdida a Oeste? Então seu lugar é Guaipur, o reino onde as crianças têm mais olhos para o mar do que para a terra sob seus pés.

Guaipur situa-se a noroeste do mundo mirim, e faz fronteira com Teres, ao sul, e com o Tamatich, a leste.

Sua capital é Uríano, onde se encontra o maior dos portos. Ela foi fundada pelo lendário Fides junto à confluência dos rios Mandubrim e Guaipur, após sua longa viagem pelo oceano ocidental em busca do pó das estrelas.

Outras cidades importantes de Guaipur são Santor, Gáprala, Bevedir e Rurobriga. São nove as províncias em que o território está dividido: Condado, Selúnia, Costa Norte, Costa Sul, Terradentro, Riacima, Púrpura, a Ponta do Alfageme e o Arquipélago dos Corsários. Quase todos seus habitantes se expressam no falar nortenho, embora se ouça algo do sulino e do tammanor, ao sul.

Quem nasce em Guaipur é chamado de guaipurino. A relação dos guaipurinos com o mar é tão intensa que foi retratada na bandeira e no brasão do reino, ambos os quais exibem um sol poente sobre ondas douradas: uma das imagens tipicamente vistas a partir das praias guaipurinas. As cores nacionais são justamente o azul e o laranja.

A costa de Guaipur é marcada por paisagens variadas: manguezais frios ao norte, seguidos por praias arenosas, falésias, baías cercadas de montanha e floresta e, finalmente, costões marinhos de tirar o fôlego. Há muito o que explorar com sua tripulação! E se piratas surgirem em seu encalço, siga a todo pano e confie na sorte, pois alguma enseada que lhe esconda pode estar logo ao dobrar o cabo.

Mas caso se canse do mar, poderá se embrenhar no Bosque Esquecido em busca de doces frutas, acampar na Costa Sul, caçar borboletas nos Campos em Flor, descer a correnteza num barril em Desce-Pedras, banhar-se na Serra das Cataratas, e muito mais!

O que espera para embarcar?

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Em qual reino você morava quando criança?



Mundo das Crianças ou Mundo Mirim. Ambas as denominações são usadas como sinônimos no romance O Rei Adulto. Esse mundo é representado como uma realidade paralela; como se as crianças, ao reunirem-se para brincar, deixam o mundo físico e penetram num mundo de fantasia próprio apenas delas.

Nesta história, o Mundo Mirim é dividido em seis reinos soberanos, além de duas regiões que buscam a independência. Conheça as características principais de cada um deles.

Teres. É onde nossa história se inicia. É um reino relativamente insosso, pois sua principal característica é estar no ocidente e fazer fronteira com o Sul Ignoto. Sustenta-se com comércio entre os demais reinos e expedições que seguem para o Sul Ignoto. Tem um quê de “Novo Mundo”. É para Teres que os aventureiros afluem em busca de riqueza. Sua capital encontra-se a oeste dos Montes Baixos, o que isola bastante seu centro político dos demais reinos. Tem fama de ser um reino de roceiros e gente interiorana, sem requinte. Foi formado pela união de diversos reinos menores, alguns rivais entre si, mas conquistados e submetidos.

Guaipur. É o único reino que efetivamente tem fronteira marítima. Sua ligação com o mar é forte desde a sua origem, de modo que sua cultura privilegia a aventura no mar, corsários, piratas, serpentes e  ilhas do tesouro. As crianças guaipurinas não dão muita atenção aos assuntos das crianças dos reinos vizinhos.

Landau. É um país pobre, espremido entre Teres e Ístar. Já foi maior no passado, porém teve parte do território tomado por Ístar após a Guerra das Águas. Essa mesma guerra castigou-o tanto que as crianças landaucas se revoltaram, derrubaram a monarquia e instituíram a República Infantil de Landau. Por serem a única república entre duas fortes monarquias expansionistas, são muito fechados e desconfiados. Assuntos internos quase não são conhecidos fora de suas fronteiras. Crianças dos demais reinos os consideram esquisitos e perigosamente revolucionários.

Macebólia. É um reino muito fragmentado em subregiões, pois a Floresta de Grínkor ocupa quase todo seu território, deixando várias partes isoladas com respeito à capital. Foi formado pela união de quatro reinos rivais, e essa rivalidade ainda persiste entre a parte norte e sul do reino, uma vez que a Guerra das Águas isolou o Norte e o Sul, após as terras que os uniam serem conquistadas pelo Tamatich. Seus habitantes têm fama de serem metódicos, laboriosos e inventivos. Também gostam de uma boa comida e muito sono.

Ístar. Todos os demais reinos consideram-no como o reino vilão. Ao menos é assim que ele é tratado no começo da história, até os aventureiros chegarem a Ístar e descobrirem que isso é apenas um estereótipo. De fato, Ístar tem gosto por conquistas territoriais e bravatas e, nessa questão, sempre esteve tecnologicamente à frente dos demais. É composto por duas culturas: a dos ístaros propriamente ditos e a dos gandaios, estes sim arruaceiros e bravateiros em geral.

Tamatich. É o reino dos contos de fadas, o mais clássico reino infantil. Conservador ao extremo, valoriza as formas de linguagem antiquadas, a lenda, o medievalismo e cortesia. Foi por muito tempo o maior reino de todo o Mundo Mirim, antes que a Guerra das Águas o destronasse. Surgiu da união bem sucedida de dois reinos antigos e rivais: Tamma e Ticch. Seus habitantes são considerados requintados, cultos e um tanto esnobes.

As duas regiões que lutam pela independência são:

Eix. Antigo reino de guerreiros fortemente nacionalistas que Ístar conquistou durante a Guerra das Águas. Seu dever à pátria é, muitas vezes, exagerado. São eternos inimigos dos ístaros.

Grínkor. Nome da região administrativa macebol ocupada pela Floresta de Grínkor, habitada por indiozinhos da tribo dos caaporas, que há séculos buscam a independência dessa região, negada pelo governo macebol.

Além disso, as lendas infantis dão conta de que outros reinos podem existir além do Sul Ignoto, embora poucos alguma vez tentaram explorar essa pavorosa região.

E você? Em que reino morava quando criança?