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sábado, 31 de dezembro de 2016

Duas ilustrações do palácio de Quérelim

Ao longo de dezembro, já me preparando para a produção do Book Trailer do livro O Rei Adulto, finalizei algumas ilustrações novas, que ainda não tinham sido descritas aqui, embora tenham sido postadas na fanpage, em versão de aquarela.

Essas ilustrações referem-se às cenas dos capítulos 7, 8, 9 e 10. Devido à quantidade de imagens que usei nas composições, esta postagem dará os créditos apenas para aquelas do capítulo 7 e 8. Dentro de alguns dias, farei o mesmo para as dos capítulos 9 e 10.

O Grão Paço Segundo de los Príncipes Tamatiscos

 

No capítulo 7, o leitor (e os personagens aventureiros) chegam a Paço e se encontram com a princesa Quérelim do Tamatich. O palácio de Quérelim é famoso por seus lustres e pelas paredes decoradas com desenhos em creiom.




Os aventureiros são convidados por Quérelim a se aconchegarem nas almofadas ao chão e se servirem de frutas que ficam num cesto ao lado. Segundo a história, o trono de Quérelim é encimado pelo busto dum unicórnio dourado que atravessa a parede. Membros da nobreza bisbilhotam a chegada dos viajantes. São esses os elementos que incorporei à cena.

O palácio de Quérelim veio dessa imagem, em domínio público, feita por Eduard Hau do palácio de inverno de Pedro o Grande. Nela, mudei a cor de algumas paredes para verde, por conta das cores nacionais tamatiscas serem vermelho e verde. O unicórnio foi dourado cuidadosamente a partir dessa ilustração feita por Budgme. Os desenhos infantis nas paredes vieram de várias imagens diferentes:
A princesa Quérelim, sentada ao trono, foi composta a partir dessa arte feita por Mystic Art Design. Suas roupas vieram dessa foto, de Adina Voicu, recolorida para um tom de verde.

O pedestal para o cesto de frutas foi colorido a partir de uma antiga fotografia P&B de um pedestal do Metropolitan Museum of Art, e o cesto veio de uma fotografia de Connie Frank.

A nobreza tamatisca foi composta também pela junção de várias imagens. As vestes do grupo à direita saíram dessa ilustração de vestimentas húngaras entre 1370 e 1410, feita por Géza Nagy, em domínio público. As crianças que passaram a encabeçar esse grupo vêm das seguintes imagens:
Já o grupo à esquerda vem de:

As imagens que não estão em domínio público foram distribuídas pelas licenças CC0 ou CC4-BY.

Estatuária em Paço

 

No capítulo 8, Êisdur e Wáldron exploram o palácio e, entre outras coisas, ficam a admirar os bustos dos antigos governantes do Tamatich, retratados fazendo caretas.



O salão onde estão os bustos foi representado por esta arte feita por Kristin Baldeschwiler. Recolori as cortinas, eliminei uma trinca de janeletas e coloquei um tapete no chão. A mesa em que os bustos se apoiam veio desta fotografia de uma mesa oval que se encontra no Los Angeles County Museum of Art. Tive de mudar a perspectiva da imagem para que ela parecesse ser vista de frente. Gravei nelas o escudo do Tamatich, para contextualizar a cena.

Os bustos foram criados a partir da fusão de uma fotografia de criança com a fotografia de algum busto real. Uma pele de mármore ou outra textura de rocha foi usada para igualar ambas as partes antes da fusão. A técnica não é complicada. Usei uma mistura dos recursos descritos no tutorial Turning People into Stone e na série de vídeos Pseudo Marble Statue Effect. Um dos principais problemas é como tratar os cabelos. Os tutoriais evitam essa questão, pois usam apenas a face, mesclando-a com a de outra estátua; ou usam modelos com poucos cabelos; ou deixam os cabelos com cor escura mesmo. Criei minha própria técnica para tentar dar conta disso: após dessaturar as imagens, usei o smudge tool do Gimp para obliterar a textura dos fios de cabelo e delineei com o airbrush tool, em preto e branco, as áreas mais claras e escuras do cabelo, para parecer com a sombra do relevo dos cabelos nas estátuas clássicas. Esse ajuste foi feito na base da tentativa e erro. Considero que ficou bom em algumas, mas não em todas.

As crianças peraltas que figuram como estátuas vêm das seguintes imagens:
Já os bustos foram os seguintes, todos em domínio público:
Finalmente, o escudo na parede veio desta imagem feita por midnightboheme; o unicórnio no escudo veio desta outra, de Silke Wurm; e a espada veio desta arte de Piotr Siedlecki.

Essa ilustração foi produzida em menos tempo que a anterior, e foi bem mais divertida, por conta das caretas das estátuas.

Por falta de espaço na cena, um dos bustos que criei ficou de fora. Mostro-o aqui porque também ficou engraçado. A criança original vem de uma fotografia de Noah feita por Sherif Salama.


As imagens que não estão em domínio público foram distribuídas pelas licenças CC0, CC2-BY ou CC4-BY.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Book trailer do livro O Rei Adulto

Finalizei hoje um book trailer amador para divulgar o livro O Rei Adulto, que foi postado no YouTube e também como vídeo nativo no Facebook.

Já há algum tempo estava fermentando essa ideia. Após assistir alguns book trailers no YouTube para elaborar o roteiro, encontrei esse tutorial da Dr.a Karen L. McKee do canal The Scientist Videographer.

O vídeo foi feito no iMovie e usa um modelo pré-definido (Fairy Tale). Usuários de iOS ou MacOS provavelmente já viram alguns desses recursos com outras imagens. É como uma apresentação de PowerPoint pré-pronta. Justamente por conta disso, temi que pudesse parecer um tanto batida. Felizmente, a maioria não usa um sistema Apple, e o formato se encaixava tão bem no tema do livro que resolvi arriscar.

Decidi usar como cenas as diversas ilustrações que tenho produzido para o blog e para cada capítulo. Algumas dessas imagens são inéditas neste blog e só foram postadas na fanpage www.facebook.com/OReiAdulto.

O resultado vocês podem conferir abaixo.



Gostou? Já comprou seu exemplar?

sábado, 17 de dezembro de 2016

Landau: a república infantil

O Mundo das Crianças nunca mais foi o mesmo após a Guerra das Águas, seu grande conflito de escala mundial. E uma das suas consequências foi a revolta e a instituição da primeira república de crianças: a República Infantil de Landau.


Landau é um "reino" diferente dos demais. Mesmo antes de se tornar uma república, já tinha essa fama de ser "do contra". Seu território nunca foi muito grande, e volta e meia acabava envolvido em conflitos e guerras iniciados pelos reinos vizinhos. Talvez por isso seus habitantes, os landaucos, cultivem grande desconfiança diante de forasteiros.

Inicialmente era um reino aliado de Tamma, até que este uniu-se a Ticch e passou a prescindir de aliados. Séculos depois, tendo de se defender sozinho, passou a ser espremido por Teres e Ístar, duas monarquias fortemente expansionistas, uma de cada lado. Principalmente durante a Guerra das Águas, tanto Teres quanto Ístar capturaram partes importantes do território landauco, que até hoje não foram devolvidas.

A revolução que derrubou a monarquia landauca teve início em Peniamesafrix, uma pequena cidade a leste da capital Gulatrax. Um menino agitado e rebelde chamado Brademir Hoxxa conseguiu direcionar à nobreza landauca a frustração da população mais pobre pela seca e fome causadas pela guerra. A revolução expatriou toda a nobreza e implantou um novo regime, baseado no voto universal para toda criança acima de seis anos. O receio de que os reinos vizinhos tentassem invadir e abafar a jovem república só fez aumentar a paranoia e desconfiança dos landaucos. Não é à toa que as demais crianças chamam os landaucos de esquisitos; em parte, porque eles são diferentes mesmo, mas também por estarem sempre suspeitando que estão sendo espionados.

Seu território é dividido em 4 províncias: Carusso do Norte, Carusso do Sul, Anguri e Hoxxa, esta última batizada em homenagem ao seu líder revolucionário. Grande parte do Carusso do Sul foi ocupada por Ístar durante a Guerra das Águas, compondo o tutelato do Carussuçu.

Além de Gulatrax e Peniamesafrix, outras cidades importantes são Forlante, Furapés, Porfim e Hólmen.

As cores nacionais landaucas são o vermelho e o amarelo. Seu brasão traz o famoso lema da revolução: Coniunctus Populus Nunquam Vincetur.

E justamente por serem sempre "do contra", a revolução continua viva em Landau, discutida e rediscutida por assembleias populares, em cada praça pública. Hoje se discute se os Pais podem aplicar castigos, amanhã se discutirá se é mesmo necessário tomar banho todo dia, e por aí vai.

Mas se você quer apenas aproveitar a paisagem, Landau oferece alguns atrativos inesquecíveis. A Campina Rubra, na fronteira tríplice entre Teres, Landau e Tamatich, é uma extensa planície de grama avermelhada e arbustos castanhos. O Pico Singular é a mais alta montanha das terras cartografadas pelas crianças. Muitos o escalam para realizar rituais alquímicos em seu topo, onde se abre uma cratera vulcânica. Mais para o sul temos o Bosque dos Acruxos, um tipo de árvore mágica que produz vários tipos de frutas diferentes; e a fonte de águas mágicas de Itororó, que dizem curar qualquer mal; entre outras...

Afinal, deve se lembrar daquela cantiga:

Fui no itororó
Beber água e não achei


Pois então, estava em Landau e nem sabia!...


A Guerra das Águas é descrita no primeiro apêndice do Vol. I de O Rei Adulto, publicado em ebook pela AZO Agência Literária

sábado, 10 de dezembro de 2016

Kousha e Estel em ilustrações

Duas novas ilustrações de O Rei Adulto foram finalizadas em novembro. Leia abaixo sobre como a composição foi feita.

Kousha de Calpulcra


O capítulo 5 de O Rei Adulto apresenta a fada-rainha Kousha, que se apossou da cidade de Calpucra, onde mantém uma corte de seguidores e fãs.

Escolhi para ilustrar a cena em que Êisdur, Wáldron, Harsínu e Marsena chegam à clareira onde há um festival em homenagem à Kousha.


No coreto, ao lado do rio Flafir, vemos Kousha ladeada por dois anões tagarelas. Várias crianças aguardam pelo seu pronunciamento.

Essa foi a composição mais trabalhosa das que fiz até o momento, especialmente porque a cena precisou ser construída a partir de várias imagens diferentes. O coreto usado na composição é o da cidade de São José do Rio Pardo. O rio com margem gramada fica em Riverview, na cidade de Richland, WA-EUA, fotografado por Russ1959. Mas as montanhas ao fundo provém de outra imagem, de autoria de Abel Leemans; foi necessário incluir as montanhas nevadas porque é essa a visão que se têm ao olhar ao norte através do rio Flafir em Calpulcra. A cerejeira é uma arte vetorial feita por Susannp4. Aquela à direita é proveniente da mesma imagem original, mas torcida com o filtro de deformação interativa do Gimp, para parecer diferente. Usei ainda, bem no cantinho esquerdo, a árvore solitária duma imagem de LoggaWiggler. As demais árvores e arbustos foram desenhados com pincéis próprios do Gimp.

As crianças no primeiro plano provém de duas imagens: uma mostra crianças num jardim de infância alemão, fotografadas por Westfale, e a outra mostra crianças alinhadas para a execução do hino americano, junto a um campo de beisebol, fotografadas por Keijj44. Em ambas as fotos, só aproveitei a postura das crianças. Tive de modificar as roupas, adicionar boinas, gorros, etc. O resultado mal lembra as imagens originais.

Para Kousha, usei uma combinação de quatro imagens: duas imagens da mesma modelo feminina fotografada por Adina Voicu: essa e essa; uma ilustração de elfa feita por Dina Dee; e asas desenhadas por Gordon Johnson. Os dois anões tagarelas foram compostos a partir da foto duma escultura de gnomo por Steve Buissinne

Ao fim, a composição teve suas cores intensificadas com a aplicação do filtro Boost Chromaticity do pacote GMIC/Gimp.

Estel del Baixo Goles


No capítulo 6, os jovens aventureiros chegam à fronteira entre Teres e o Tamatich, após enfrentarem estranhos acontecimentos. A primeira cidade tamatisca em sua jornada é Estel del Baixo Goles.

A cena ilustrada mostra Estel debaixo d'água, o que enche os aventureiros de apreensão, por estarem já alarmados com o que vinham encontrando na estrada. Pela descrição do capítulo, Êisdur e seus amigos estão em um ponto mais elevado e veem Estel no vale, ao lado do rio Lennx. Procurei manter todos esses elementos na composição.


A belíssima paisagem original dessa composição fica em Quiraing, Ilha de Skye, na Escócia, em fotografia de Frank Winkler. Inverti a imagem original horizontalmente, para reproduzir o relevo da fronteira entre Teres (mais elevado) e o Tamatich (mais baixo, à direita do rio). Incluí o rio, espelhando a imagem do céu e escurecendo ligeiramente as cores da água. Criei o alagado ao lado de modo similar e comecei a colocar as torres, telhados e topos das árvores acima das águas. Cada torre precisou também de reflexo sobre a água e sombra (segundo as sombras já existentes na imagem original). A ponte de pedra fica originalmente na Albânia, retirada desta fotografia de Dudva. Finalmente, incluí duas bandeirinhas com as cores do Tamatich, no mastro de duas das torres mais altas.


Gostou dessas imagens? Já leu o capítulo correspondente de O Rei Adulto? Deixe-nos um comentário sobre o que achou da história ou das ilustrações.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Mapas auxiliares para leitores do ebook

O Rei Adulto finalmente foi lançado ao público, em versão digital para Kindle. Mesmo que você não tenha um aparelho Kindle, poderá lê-lo no celular/tablet pelo aplicativo Kindle disponível na Apple Store, Google Store ou em seu próprio computador através do Kindle Cloud Reader, que roda sem problemas em Firefox, Chrome, Safari ou IE.

Devido à limitação do formato digital, os mapas podem não ser tão facilmente legíveis quanto numa versão impressa. O leitor pode usar este mapa auxiliar para localizar-se. O percurso da busca de Êisdur neste primeiro volume está demarcado em vermelho. Os números indicam o capítulo correspondente da história.



O volume 1 de O Rei Adulto termina em Lyrnyra. Eventualmente, muitas ações dos capítulos finais desta história podem ser melhor apreciadas com o apoio de um mapa da cidade, como o apresentado abaixo.


 Clique nos mapas para vê-los em melhor resolução.

Se já chegou ao fim do volume 1, comente aqui suas impressões.

sábado, 26 de novembro de 2016

O Rei Adulto Vol. I já está à venda na Amazon


A Agência Literária AZO acaba de publicar a primeira metade da obra O Rei Adulto. Este primeiro volume, que recebeu o subtítulo Oeste, pode ser adquirido por apenas R$ 9,90 em formato digital para Kindle, iPhone, Android e Cloud Reader. O primeiro capítulo e metade do segundo podem ser folheados e lidos gratuitamente aqui.

Este momento vem sendo anunciado desde que o blog foi aberto há alguns meses. Mas, para o autor, a espera foi muito mais longa. Começou em 1991, quando o livro começou a ser escrito; passou por 2001, quando chegou à conclusão, e depois por inúmeras tentativas, tímidas ou teimosas, de viabilizar sua publicação. Durante esse tempo, não houve um amigo ou amiga próximo que não soubesse ao menos uma parte da história e desse projeto. Meu próprio filho nasceu quando a história já estava pela metade e cresceu ouvindo trechos em momentos oportunos. Cheguei até a criar um importante personagem para o livro enquanto o ninava para dormir, em seu primeiro ano de vida.

Gostaria de agradecer ao trabalho de Fernando Cardoso e Mariana Carbas, da agência AZO, que viabilizaram a publicação, e do Prof. Clóvis Luiz Alonso Júnior, que fez uma detalhada revisão linguística entre 2005-2006. Algumas outras pessoas também precisam ser mencionadas, porque estiveram ligadas mais diretamente a este projeto durante os anos anteriores, quando eu ainda buscava meios de publicá-lo: Rita de Cássia Boccato, Emanuel Gonçalves Dutra e Thaís Quintella de Linhares, bem como alguns dos meus primeiros leitores-teste, ainda do período 1992-2002: Flávio da Silva Costa, Maria Cristina Favoreto, Bárbara Silva Israel, Alex Cavaliéri Carciofi e Ida Arnold. Agradeço também a todos os demais parentes, amigos, colegas, alunos e ex-alunos que apoiaram esse projeto.

O segundo volume, que conclui a obra, deve ser lançado em 2017. Enquanto isso, material adicional continuará a ser publicado aqui no blog e na fanpage.

Espero que se divirtam com a leitura, tanto quanto eu me diverti com sua escrita!

A ilustração acima é uma composição de duas gravuras em domínio público com permissão de modificação. O desenho das crianças diante do cartaz foi disponibilizado pela The Library of Congress por Dawn Hudson. A gravura do cavaleiro medieval provém do manuscrito Beinecke MS.229 Arthurian Romances Folio 326R, que data do último quarto do século XIII. A tipografia usada é Antique Shop Fancy e Copperplate Gothic Light.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Cenas dos primeiros capítulos

O comércio em Baltar, o balé da Cumacanga, o desafio ao Nuncanão e a busca de Fides são cenas dos quatro primeiros capítulos de O Rei Adulto. Por serem ricas em ambientes e personagens que cativam a imaginação, histórias de fantasia costumam ser acompanhadas por ilustrações que se tornam tão conhecidas quanto as cenas que as inspiraram. Quem nunca viu as ilustrações de Alice no País das Maravilhas ou de O Pequeno Príncipe? Há ainda o caso de histórias que nascem das ilustrações, como Dinotopia, de James Gurney.

Mas boas ilustrações requerem habilidade e anos de formação. Felizmente, para leigos e diletantes como eu, alguns programas de computador para manipulação de imagens contêm recursos suficientes para produzir ilustrações razoáveis. O mais conhecido desses programas é o Photoshop. Eu uso o GIMP, que é tão poderoso quanto, gratuito e segue a filosofia do código aberto.

Para sanar essa crônica falta de habilidade e firmeza no traço, decidi fazer composições com partes de imagens e fotografias distribuídas sob a licença Creative Commons, modificadas aqui e ali para se adequarem à história que retratam. A composição é posteriormente degradada e tratada como aquarela, para diminuir os eventuais defeitos da junção de imagens de origens distintas, antes de ser postada na fanpage. Porém, as originais são igualmente interessantes, e um tanto mais nítidas, como poderão ser vistas abaixo. Além disso, é preciso dar crédito às fotografias e técnicas usadas, o que não é possível fazer de forma apropriada nas imagens distribuídas pelo facebook.

Uma rua de Baltar


Baltar é a cidade mercantil onde a história tem início. O protagonista, Êisdur, chega à cidade em busca de seu irmão mais velho, em pleno dia de feira. A imagem retratada é a justamente a do primeiro parágrafo de história: "Começava um novo dia de feira em Baltar. Em ocasiões como essa, a cidade era tomada por flâmulas coloridas, desfraldadas das janelas dos casarões mais nobres."


A imagem original é uma fotografia feita por Julia Casado. Apaguei as antenas de televisão no topo dos prédios e demais elementos modernos, adicionei as flâmulas, mudei letreiros, coloquei uma iluminura medieval como se fosse um grafite numa das paredes, e lá estava Baltar.

O balé da Cumacanga


A composição de uma rua de Baltar estimulou-me a tentar ilustrar cenas dos capítulos seguintes. Seguindo a ordem, escolhi para a próxima composição o momento em que Êisdur segue em busca da Cumacanga para perguntar-lhe se ela sabe onde vive o Rei Adulto. A bruxa está bailando sobre um lago, apaixonada pelo próprio reflexo, e não gostará nem um pouco de ser perturbada.


Essa composição foi mais simples, embora visualmente me agrade mais que a anterior. A silhueta do menino é de uma fotografia de meu filho aos 7 anos de idade. O lago que serviu de base é uma fotografia tirada por EMM para o Blue Lake Free Press (o máximo que consegui descobrir). Tanto o céu, quanto as margens foram modificadas, pus uma árvore no plano da frente, grama, iluminação por conta da luz das chamas da Cumacanga, etc. 

O desafio ao Nuncanão


No capítulo 3, Êisdur e Wáldron são desafiados pelo Nuncanão, o anão que nunca fala não. Depois é sua vez de desafiá-lo. Eles o encontram de pijama, com seu castelo flutuando em cima de uma nuvem baixa.


A imagem de fundo é uma fotografia tirada no parque Yosemite por Unsplash. As montanhas no mundo representariam os Montes Baixos, junto aos quais Êisdur e Wáldron se encontram no momento em que são perturbados pelo Nuncanão. O castelo ao fundo é uma arte vetorial criada por Susannp4. O Nuncanão saiu de uma fotografia feita por Hans Braxmeier em que, curiosamente, figura um anão de pijama em porcelana.

Para essa composição: eliminei o casal que aparece na fotografia do parque Yosemite; adicionei os pássaros e as nuvens e trabalhei com mais detalhe para que o castelo e as nuvens se misturassem bem; modifiquei o anão de porcelana para que ficasse mais próximo ao Nuncanão; modifiquei as cores da imagem para que parecesse ser noite; incluí neblina no primeiro plano e na floresta ao fundo.

Fides e o carro do Sol


No capítulo 4, Êisdur e Wáldron já se encontraram com os irmãos Harsínu e Marsena. Em sua parada para dormir, à noite, fazem uma roda de histórias junto à fogueira e cada um conta um pequeno conto. O conto narrado por Marsena é sobre como Fides busca o pó das estrelas para curar a cegueira da menina por quem é apaixonado. A busca de Fides o leva a várias aventuras, mas a que mais gosto, talvez por ser astrônomo, talvez por ser uma referência direta ao mito grego do filho de Hélio, é quando ele usa o carro do Sol para tentar chegar perto das estrelas.


Essa composição foi feita com a mistura de dois fundos de tela. Pelo que consegui apurar, a imagem do céu estrelado foi feita por Aslinah Safar, em Alberta, Canadá. Até o momento não consegui descobrir o autor da outra imagem. O carro do Sol foi construído após muita modificação numa fotografia de Lynn Greyling, que mostra pequena escultura em metal de biga grega. 

Para essa composição, trabalhei com camadas de diferentes opacidades de modo a colorizar os cavalos e criar a aura em torno do carro e de Fides. As chamas foram criadas com ajuda desse tutorial produzido por Billy Kerr. Por sinal, o mesmo efeito já tinha sido usado para os cabelos da Cumacanga, acima. Para Fides, busquei fotografias, mas não encontrei um modelo na postura adequada e acabei desenhando o rosto e corpo à mão.

Próximos capítulos


Como o livro possui 42 capítulos, não sei se conseguirei tempo e ideias para ilustrar todos. Tentarei, aos poucos, talvez pulando a ordem, pois dependerá de ter ideias para a composição, e descobrir a técnica correspondente para o efeito desejado no GIMP.

Cabe aqui uma pequena curiosidade: toda a história desse livro teve início em um pequeno desenho que fiz em 1991. Embora esse desenho não ilustre a busca de Êisdur propriamente dita, ele apresenta alguns elementos que vieram a ser incorporados na narrativa: o fim da infância, os brinquedos abandonados, o rio das Lágrimas e os Montes Altos.